Hoje sorri à senhora do super mercado.
Ela não viu. Mas eu cá sei que lhe sorri; e saí de lá a sentir-me
uma pessoa melhor. Ela devia ter sabido que foi a primeira pessoa a
quem sorri hoje. Infelizmente, nunca o saberá. Ela própria não
estava muito sorridente. Talvez lhe tivesse feito bem o meu sorriso.
E depois, atravessei a porta automática
cheia de resoluções na cabeça. Infelizmente, as minhas resoluções
duraram tanto quanto o meu sorriso fátuo. Não eram muito
consistentes as minhas resoluções.. Mas eram bonitas. Eu havia de
sorrir mais. Rir-me mais. E confiar mais. Infelizmente, só consigo
sorrir a senhoras do supermercado que estão demasiado ocupadas para
repararem nos sorrisos alheios. E fé não cresce das árvores.
Fé. Gostaria de comprar uma caixinha
de fé. Deve comprar-se no mesmo sítio onde se compra o juízo.
Provavelmente pode ser encontrada na prateleira dos gambuzinos, por
cima do pó de unicórnio. Olha. Agora sorri. Mas foi um sorriso
assim um bocado para o triste.
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